Sim amigos, é uma audácia me intitular de Moisés, mas tal audácia se sustenta, pois há anos um mar separa a periferia da cultura, e como Moisés há muito iniciei o êxodo com meu povo, uma caminhada dura e muito lenta, mas em 2012 espero abrir o “mar vermelho” levando um suspiro cultural ao meu povo. Minha epifania se deu na comédia, pois as vezes minhas piadas são a única arma que tenho contra o mal.
Depois de um ano e meio de batalha, altas correrias, muito suor, muitos nãos, algumas traições, shows do teatro ao boteco, da escola ao presídio, muita coisa mudou, mas o combustível continua o mesmo, dedicação, ousadia, alegria e gratidão. A palavra de ordem desse trabalho é “obrigado”. Agradeço pela dedicação, agradeço pelas pessoas que cruzam meu caminho, agradeço pelos trabalhos que surgem, agradeço quando subo e desço do palco. Minha crença é simples, “muito obrigado” não custa nada, mas vale muito!
Após parar de me esconder atrás dos “benefícios” que a mediocridade da carteira assinada me dava, abracei meu sonho e tracei metas grandiosas. Adotando a filosofia do “faça você mesmo” produzi integralmente todos os meus shows, responsável por cada etapa do processo. Os apoios foram poucos, mas todos de extrema importância.
Em outubro de 2011 lancei meu show solo “Herói ou Rebelde”, teatro super lotado, estavam disponíveis 141 lugares, mas 187 pessoas compareceram. Haviam pessoas nas escadas, nos corredores, pessoas em pé, a energia do público foi contagiante, 78 minutos de adrenalina e muitas risadas.
A partir de então a missão era tirar o show da gaveta e levar ao público. Não importava onde, quando, que horas, não importava nada, eu queria apenas contar minhas piadas, me divertir e divertir o público.
Em novembro aconteceu o FENATA – Festival Nacional de Teatro -, evento no qual fiz 20 apresentações em 7 dias, me apresentei para um total de 5000 mil pessoas, diferentes classes sociais, cores, idades, crenças, uma coisa os unia durante os 50 minutos do meu show, o riso.
Durante o momento do riso todos são iguais, e partindo desse pressuposto comecei a perceber que o FENATA havia me possibilitado levar ao riso a pessoas que na maioria das vezes tinham o direito de sorrir cerceado devido a sua cor, classe social e, principalmente, pelo caráter elitista que a comédia stand up ganhou no Brasil.
É fácil encontrar comediantes fazendo shows com ingressos a 80, 100, 120 reais, algo totalmente surreal para um país em que o salário mínimo mal dá para alimentar uma pessoa. Sendo assim, meu objetivo é fazer um show bom e com preço acessível. Muitos podem pensar, “ah, isso é fácil porque você não é famoso”. Não, isso é fácil porque eu tenho vontade, porque eu cresci na vila catando bola na valeta, cresci tendo a Globo e o futebol na rua como únicas opções de entretenimento, ou seja, nasci e cresci no meio do povo, fui povo, sou povo, e hoje levo ao meu povo um “artigo de luxo” que também é direito deles.
Isto posto meus nobres, eu sou Diego Castro, esse é meu ideal e diferencial, agora durmam com um barulho desses...
*Estou a procura de apoiadores/patrocinadores para colocar em prática o projeto “Terra do nunca – A comédia dos que só tem o riso”. Tal projeto visa levar o show “Herói ou Rebelde” para as periferias dos Campos Gerais sendo aplicado o IS (Ingresso social), no qual o valor varia entre 1 e 3 reais. Mais informações sobre o projeto entre em contato pelo email: contato@diegocastrodc.com.br . Toda e qualquer ajuda é valida para levarmos a cultura ao nosso povo.
