sábado, 11 de setembro de 2010

11 DE SETEMBRO, DIA INTERNACIONAL DA IGNORÂNCIA

Diego Ribeiro – Historiador/Professor/Ator
Diego.farias.ribeiro@hotmail.com

Há exatos nove anos uma série de ataques terroristas foi direcionada aos Estados Unidos da América, motivo “aparente”, fundamentalismo religioso. Segundo a revista Super interessante de junho de 2005, fundamentalismo religioso é um “termo usado para se referir à crença na interpretação literal dos livros sagrados. Os fundamentalistas são encontrados entre religiosos diversos, e pregam que os dogmas de seus livros sagrados sejam seguidos à risca”. Ou seja, se trata de colocar em prática as atitudes pregadas nas sagradas escrituras.

Os fundamentalismos encontram adeptos em vários lugares do mundo, contudo fundamentalistas islâmicos são os mais “notados”, pois apresentam um extremismo ultra-radical, prova disso foram os atentados de 11 de setembro de 2001. Todavia, o aniversário de 9 anos dos atentados, poderá ficar marcado por um ato tão extremo quanto dos islâmicos, pois segundo o portal Página 12 – de responsabilidade do diário espanhol El Mundo -, está marcado para hoje um ritual de queima dos livros sagrados do Islã: o Alcorão.

O responsável por tal iniciativa é o pastor Terry Jones, da Dove Outreach Center, uma igreja situada na cidade norte americana de Gainesville. O objetivo é queimar 11 exemplares do Alcorão em resposta as idéias extremistas do Islã, dando início a um marco, o “Dia Internacional de queima do Alcorão”. As atitudes tomadas pelas outras igrejas, e pelo governo estadunidense revelam repúdio, e total desaprovação aos atos fomentados pelo pastor. Contudo, ele é enfático, “não suspenderia tal ato nem que Deus pedisse”.

Uma controvérsia gigantesca se coloca na iniciativa de Terry Jones, pois atacar fundamentalismo com mais fundamentalismos é algo incongruente, impensado e ignorante. O máximo que os membros da Dove Outreach Center conseguiram é aumentar o ódio do mundo islâmico para com os norte americanos, marcando o dia 11 de setembro como o dia internacional da ignorância. E como diria meu avô, “olho por olho, dente por dente e o mundo acabará cego...”  

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A ETERNA BUSCA PELO DITO PROFESSOR IDEAL

Ser professor/educador/formador nos dias de hoje é algo que revela mais que uma mera profissão, é algo que transpõe o simples estar professor, se trata de SER professor, é gerar um diálogo entre as metodologias pertinentes e o ato de bem social, o qual se apresenta através do amor pelo ato de educar. A partir desse entrelaçamento entre metodologia e prática é que se busca o professor ideal, isso para os diversos âmbitos do ensino. No entanto, a questão que fomenta a dúvida é “qual é o professor ideal?”
Dúvida cruel, mas que encontra fáceis e diversas respostas no mundo escolar, alguns dizem que professor ideal é aquele que trabalha buscando a melhor assimilação do conteúdo, outros acham que o ideal é aquele que transpõe as barreiras da simples mecanização conteudista difundindo o olhar crítico, em outras palavras, o ato de pensar; existem ainda os que digam que a melhor maneira é educar pela força e autoridade, e os que pensam que unir todos os elementos culminará no educador ideal. Contudo, a questão apresenta uma profundidade aterrorizante, releva um idealismo praticamente utópico, pois o educador ideal deveria ser aquele enquadrado em um sistema de ensino igualmente perfeito, o qual lhe possibilitaria apresentar um trabalho a altura, ou seja, um paradoxo se coloca na relação professor e sistema de ensino, pois se o educador não é ideal, o sistema também não se faz ideal.
Vejamos... Salas lotadas, alunos desmotivados, despreocupados, desinteressados, simplesmente apáticos; professores igualmente desmotivados – não todos obviamente -, despreocupados e/ou desinteressados. As questões que se seguem são: os alunos e professores estão num estado letárgico por quê? Por que para os alunos as aulas não são tão motivantes quanto as redes sociais? Por que não precisam se preocupar, pois seus pais lhes bancarão até seus 87 anos? Ou porque a busca por uma vida mais digna, menos mesquinha e hipócrita não os interessa? E os professores, estão desmotivados porque seu salário de 38 mil reais por mês não é satisfatório? Estariam eles despreocupados com seus pupilos, pois não se faz necessário um mundo melhor? Ou estariam desinteressados porque seu salário é efêmero, sua rotina é maçante, a lógica conteudista é reducionista demais, e por fim porque sua profissão é desprestigiada por pais, alunos, diretores, pedagogos, sapateiros, lixeiros, bancários, engenheiros, psicólogos, administradores, médicos, governantes, professores... professores?! Exatamente, professores!
Como chegamos ao ponto em que alguém menospreza a sua própria profissão? Simples, a lógica educacional brasileira é excludente e voltada para uma pseudo-educação desde o momento em que iniciaram o processo “civilizatório” após a chegada dos europeus no território brasileiro. A mais de cinco séculos o Brasil apresenta um déficit no âmbito educacional, fato que se reflete no atraso geral que apresentamos. E como mudar? Fulano de tal promete “vamos investir milhões em educação!”; Beltrano afirma, “se eu for eleito a educação será minha prioridade”; Godofreda declara, “educação gratuita e de qualidade serão o foco do meu governo!”. Mentiras, mentiras e mais mentiras, a verdade é dura, não há o real interesse de que investimentos sejam direcionados para educação, pois uma massa pensante é uma massa de difícil controle.
Lembrem-se, buscamos o dito professor ideal, mas as pessoas responsáveis por gerar um sistema educacional satisfatório, o qual seria a base para a formação de tais professores, não estão preocupados, ou melhor, estão sim muito preocupados, não em investir em educação, mas sim em sucatear o ensino, formando uma massa alienada, acrítica e privilegiando um seleto grupo de “feras” em decoreba, os quais ocuparão as “melhores” cadeiras nas universidades. Mudanças urgentes são necessárias, ou a elite continuará sendo “treinada” para permanecer ocupando os ditos cargos de elite e os pobres continuarão recebendo seu – não menos digno, mas com muito menos prestígio – ensino profissionalizante, chafurdando em meio a proletarização.
Por fim, sem mudanças significativas, a busca incessante pelo professor ideal continuará eternamente, pois como a canção já avisa: que a saúde do povo daqui, é o medo dos homens de lá/A consciência do povo daqui é o medo dos homens de lá/A sabedoria do povo daqui, é o medo dos homens de lá*

*Natiruts. Deixa o menino jogar. In:              “Natiruts”, CD. 2000.