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quarta-feira, 18 de julho de 2012
quinta-feira, 3 de maio de 2012
A rebeldia libertária de Diego Castro: o sonho de um homem ridículo
Olá brodinhos! Eu sou Diego Castro, sou historiador formado pela UEPG, sou Diretor do Laboratório Andante (laboratório de criação artística) e comediante. Aos que chegaram ate aqui, essa é minha coluna de abertura no Cultura Plural, a qual recebe o nome de “Herói ou Rebelde”, nome dado também do meu primeiro show solo de stand up comedy.
Nesse texto de abertura quero aproveitar para deixar claro, o porquê de escolher a comédia, porque meu estilo é definido como libertariamente cruel e porque esse bendito nome Herói ou Rebelde.
A comédia faz parte da minha vida desde muito antes de ter ela como profissão, sempre vi na comédia uma forma de enfrentamento e catarse, claro que aos 12 anos eu não fazia ideia do que era catarse, mas já utilizava satirizando as dezenas de cirurgias que minha mãe era submetida para o tratamento de câncer. Vocês podem ate pensar “que imbecil é esse que satiriza o câncer da própria mãe?”. E lhes digo, um imbecil que tinha no humor a única forma de amenizar a dor, calar o choro e dar esperanças a uma mulher que sabia que não estaria lá pra ver seu filho crescer.
A comédia foi a forma que encontrei para não chorar. Vendo minha mãe sempre tive consciência de que haviam pessoas sofrendo muito mais do que eu, mas logo me dei conta que num quarto de hospital se a piada era boa, a dor era nula. Desde cedo a comédia me deu poder. Dentro do quarto no Hospital Evangélico com seis mulheres com câncer, eu era o herói e o rebelde, transgredindo as regras salvava o dia arrancando sorrisos com piadas sobre suas carequinhas reluzentes.
Já bem grandinho, e sem minha mãe, encontrei uma batalhas muito maiores, então ao me ver e me aceitar como comediante profissional, percebi que deveria por em prática os escritos de Edson Passetti, deveria “sair do verbal, experimentar a vida, perigos, perder o controle de si”, era “preciso rebeldia e agressão”. Nunca fugi disso, mas me vendo com tanto poder nas mãos não queria passar pela vida sendo mais um desses “jovens cada vez mais interessados apenas em manifestar uma insossa indignação passageira ou que procuram no anarquismo um refúgio covarde, porto seguro oportunista e medroso, palatável manual de sobrevivência alternativa”. Eu queria mais, queria ser o “desvio de conduta”, ser o herói e o rebelde, não lutar apenas com e pelo são, mas sim com e pelo louco.
Lévi-Strauss dizia que “nossa cultura é antropoêmica, não suporta os desvios, os vomita para fora: prende, interna, confina, exila, mata”. Se isso está posto, porque lutar não é mesmo? Aos que não veem um porque, saibam que devemos lutar, nem que seja pelo nosso umbigo, pois como diria meu sábio avô “traíra que fica parada vira comida de lambari”.
Segundo o autor Edgar Leuenroth “ser anarquista (...) não é fácil. Significa tomar todos os dias, em face de todos os problemas, grandes e pequenos, da vida, uma posição teórica e prática que contrasta e se choca com as conveniências do próximo, que suscita suspeitas, ódio e furor no seio dos guardiões da ordem, que são todos aqueles que se veem beneficiados pelos seus privilégios”. Ao meu ver ser comediante é caminhar sobre a linha tênue do anarquismo, é ser herói e rebelde, herói ao dar voz ao que são fadados ao silêncio, rebelde ao não se deixar calar, lutar, ascender e arremessar seu “coquetel molotov” de duvidas, buscando incendiar a hipocrisia niilista e iconoclasta inerente a grande parte da nossa sociedade.
As vezes vendo meu colegas de profissão falando tantas bobagem sem fundamento, sem lógica, exaltando sua própria ignorância em rede nacional, me vejo vivendo um sonho, o qual definiria com o título do conto escrito por Dostoiévski “O sonho de um homem ridículo”. Simples assim, o ridículo me toma, me põe de joelhos vendo uma arma tão poderosa a mercê de tantos idiotas. A comédia não é, nem pode ser, apenas entretenimento, a piada não é apenas piada, nós comediantes temos nas mãos uma arma poderosa, em muitos casos a única arma contra o mal.
A comédia denuncia, inclui e as vezes diverte, quando apenas diverte é, na minha humilde opinião, um quadro de Picasso jogado no lixo. A comédia amigos, é um momento de loucura, e como disse Antonin Artaud “A loucura enuncia para a sociedade, verdades que são insuportáveis”.
Sejam todos bem vindos, eu sou Diego Castro, um herói movido pela rebeldia e loucura, pois assim como a loucura, a comédia também enuncia verdades insuportáveis!
“É real, o menino do morro virou deus!” (EMICIDA)
Referências:
LEUENROTH, Edgar. Anarquismo: Roteiro da Libertação Social. São Paulo/Rio de Janeiro: CCS-SP/Achiamé, 2007, p.16.
PASSETTI, Dorothea Voegeli. LEVI-STRAUSS, ANTROPOLOGIA E ARTE: MINUSCULO – INCOMENSURAVEL. EDUSP, 2008.
PASSETTI, Edson. Nise da Silveira, uma vida como obra de arte. Festival Internacional de Teatro de S. José do Rio Preto, SP. Julho de 2002.
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