Ajude a financiar a 2ª Temporada do Humor em HD, acesse o link abaixo e confira as cotas disponíveis: http://comecaki.com.br/projetos/93/humor-em-hd-2-temporada
quarta-feira, 18 de julho de 2012
quinta-feira, 3 de maio de 2012
A rebeldia libertária de Diego Castro: o sonho de um homem ridículo
Olá brodinhos! Eu sou Diego Castro, sou historiador formado pela UEPG, sou Diretor do Laboratório Andante (laboratório de criação artística) e comediante. Aos que chegaram ate aqui, essa é minha coluna de abertura no Cultura Plural, a qual recebe o nome de “Herói ou Rebelde”, nome dado também do meu primeiro show solo de stand up comedy.
Nesse texto de abertura quero aproveitar para deixar claro, o porquê de escolher a comédia, porque meu estilo é definido como libertariamente cruel e porque esse bendito nome Herói ou Rebelde.
A comédia faz parte da minha vida desde muito antes de ter ela como profissão, sempre vi na comédia uma forma de enfrentamento e catarse, claro que aos 12 anos eu não fazia ideia do que era catarse, mas já utilizava satirizando as dezenas de cirurgias que minha mãe era submetida para o tratamento de câncer. Vocês podem ate pensar “que imbecil é esse que satiriza o câncer da própria mãe?”. E lhes digo, um imbecil que tinha no humor a única forma de amenizar a dor, calar o choro e dar esperanças a uma mulher que sabia que não estaria lá pra ver seu filho crescer.
A comédia foi a forma que encontrei para não chorar. Vendo minha mãe sempre tive consciência de que haviam pessoas sofrendo muito mais do que eu, mas logo me dei conta que num quarto de hospital se a piada era boa, a dor era nula. Desde cedo a comédia me deu poder. Dentro do quarto no Hospital Evangélico com seis mulheres com câncer, eu era o herói e o rebelde, transgredindo as regras salvava o dia arrancando sorrisos com piadas sobre suas carequinhas reluzentes.
Já bem grandinho, e sem minha mãe, encontrei uma batalhas muito maiores, então ao me ver e me aceitar como comediante profissional, percebi que deveria por em prática os escritos de Edson Passetti, deveria “sair do verbal, experimentar a vida, perigos, perder o controle de si”, era “preciso rebeldia e agressão”. Nunca fugi disso, mas me vendo com tanto poder nas mãos não queria passar pela vida sendo mais um desses “jovens cada vez mais interessados apenas em manifestar uma insossa indignação passageira ou que procuram no anarquismo um refúgio covarde, porto seguro oportunista e medroso, palatável manual de sobrevivência alternativa”. Eu queria mais, queria ser o “desvio de conduta”, ser o herói e o rebelde, não lutar apenas com e pelo são, mas sim com e pelo louco.
Lévi-Strauss dizia que “nossa cultura é antropoêmica, não suporta os desvios, os vomita para fora: prende, interna, confina, exila, mata”. Se isso está posto, porque lutar não é mesmo? Aos que não veem um porque, saibam que devemos lutar, nem que seja pelo nosso umbigo, pois como diria meu sábio avô “traíra que fica parada vira comida de lambari”.
Segundo o autor Edgar Leuenroth “ser anarquista (...) não é fácil. Significa tomar todos os dias, em face de todos os problemas, grandes e pequenos, da vida, uma posição teórica e prática que contrasta e se choca com as conveniências do próximo, que suscita suspeitas, ódio e furor no seio dos guardiões da ordem, que são todos aqueles que se veem beneficiados pelos seus privilégios”. Ao meu ver ser comediante é caminhar sobre a linha tênue do anarquismo, é ser herói e rebelde, herói ao dar voz ao que são fadados ao silêncio, rebelde ao não se deixar calar, lutar, ascender e arremessar seu “coquetel molotov” de duvidas, buscando incendiar a hipocrisia niilista e iconoclasta inerente a grande parte da nossa sociedade.
As vezes vendo meu colegas de profissão falando tantas bobagem sem fundamento, sem lógica, exaltando sua própria ignorância em rede nacional, me vejo vivendo um sonho, o qual definiria com o título do conto escrito por Dostoiévski “O sonho de um homem ridículo”. Simples assim, o ridículo me toma, me põe de joelhos vendo uma arma tão poderosa a mercê de tantos idiotas. A comédia não é, nem pode ser, apenas entretenimento, a piada não é apenas piada, nós comediantes temos nas mãos uma arma poderosa, em muitos casos a única arma contra o mal.
A comédia denuncia, inclui e as vezes diverte, quando apenas diverte é, na minha humilde opinião, um quadro de Picasso jogado no lixo. A comédia amigos, é um momento de loucura, e como disse Antonin Artaud “A loucura enuncia para a sociedade, verdades que são insuportáveis”.
Sejam todos bem vindos, eu sou Diego Castro, um herói movido pela rebeldia e loucura, pois assim como a loucura, a comédia também enuncia verdades insuportáveis!
“É real, o menino do morro virou deus!” (EMICIDA)
Referências:
LEUENROTH, Edgar. Anarquismo: Roteiro da Libertação Social. São Paulo/Rio de Janeiro: CCS-SP/Achiamé, 2007, p.16.
PASSETTI, Dorothea Voegeli. LEVI-STRAUSS, ANTROPOLOGIA E ARTE: MINUSCULO – INCOMENSURAVEL. EDUSP, 2008.
PASSETTI, Edson. Nise da Silveira, uma vida como obra de arte. Festival Internacional de Teatro de S. José do Rio Preto, SP. Julho de 2002.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Diego Castro - O Moisés Campesino, um ideal, um sonho, muitos sorrisos
Sim amigos, é uma audácia me intitular de Moisés, mas tal audácia se sustenta, pois há anos um mar separa a periferia da cultura, e como Moisés há muito iniciei o êxodo com meu povo, uma caminhada dura e muito lenta, mas em 2012 espero abrir o “mar vermelho” levando um suspiro cultural ao meu povo. Minha epifania se deu na comédia, pois as vezes minhas piadas são a única arma que tenho contra o mal.
Depois de um ano e meio de batalha, altas correrias, muito suor, muitos nãos, algumas traições, shows do teatro ao boteco, da escola ao presídio, muita coisa mudou, mas o combustível continua o mesmo, dedicação, ousadia, alegria e gratidão. A palavra de ordem desse trabalho é “obrigado”. Agradeço pela dedicação, agradeço pelas pessoas que cruzam meu caminho, agradeço pelos trabalhos que surgem, agradeço quando subo e desço do palco. Minha crença é simples, “muito obrigado” não custa nada, mas vale muito!
Após parar de me esconder atrás dos “benefícios” que a mediocridade da carteira assinada me dava, abracei meu sonho e tracei metas grandiosas. Adotando a filosofia do “faça você mesmo” produzi integralmente todos os meus shows, responsável por cada etapa do processo. Os apoios foram poucos, mas todos de extrema importância.
Em outubro de 2011 lancei meu show solo “Herói ou Rebelde”, teatro super lotado, estavam disponíveis 141 lugares, mas 187 pessoas compareceram. Haviam pessoas nas escadas, nos corredores, pessoas em pé, a energia do público foi contagiante, 78 minutos de adrenalina e muitas risadas.
A partir de então a missão era tirar o show da gaveta e levar ao público. Não importava onde, quando, que horas, não importava nada, eu queria apenas contar minhas piadas, me divertir e divertir o público.
Em novembro aconteceu o FENATA – Festival Nacional de Teatro -, evento no qual fiz 20 apresentações em 7 dias, me apresentei para um total de 5000 mil pessoas, diferentes classes sociais, cores, idades, crenças, uma coisa os unia durante os 50 minutos do meu show, o riso.
Durante o momento do riso todos são iguais, e partindo desse pressuposto comecei a perceber que o FENATA havia me possibilitado levar ao riso a pessoas que na maioria das vezes tinham o direito de sorrir cerceado devido a sua cor, classe social e, principalmente, pelo caráter elitista que a comédia stand up ganhou no Brasil.
É fácil encontrar comediantes fazendo shows com ingressos a 80, 100, 120 reais, algo totalmente surreal para um país em que o salário mínimo mal dá para alimentar uma pessoa. Sendo assim, meu objetivo é fazer um show bom e com preço acessível. Muitos podem pensar, “ah, isso é fácil porque você não é famoso”. Não, isso é fácil porque eu tenho vontade, porque eu cresci na vila catando bola na valeta, cresci tendo a Globo e o futebol na rua como únicas opções de entretenimento, ou seja, nasci e cresci no meio do povo, fui povo, sou povo, e hoje levo ao meu povo um “artigo de luxo” que também é direito deles.
Isto posto meus nobres, eu sou Diego Castro, esse é meu ideal e diferencial, agora durmam com um barulho desses...
*Estou a procura de apoiadores/patrocinadores para colocar em prática o projeto “Terra do nunca – A comédia dos que só tem o riso”. Tal projeto visa levar o show “Herói ou Rebelde” para as periferias dos Campos Gerais sendo aplicado o IS (Ingresso social), no qual o valor varia entre 1 e 3 reais. Mais informações sobre o projeto entre em contato pelo email: contato@diegocastrodc.com.br . Toda e qualquer ajuda é valida para levarmos a cultura ao nosso povo.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Rafinha Bastos, um nazista judeu?
Rafinha Bastos hoje é visto por muitos como um porco, um idiota sem noção, um oportunista que se aproveita de polêmicas para ganhar popularidade e muita coisa pior. Depois de dizer que comeria a pseudo cantora e seu bêbe, e fazer piadas com deficientes e estupradores, perguntou eu a vocês, seria Rafinha Bastos um nazista judeu?
Sei, o título desse post está tão diabólico quanto nosso querido amigo Rafinha, aliás, diabólico pra quem?
Rafael Bastos Hocsman, humorista e ex-apresentador do CQC, é um dos precursores e, porque não, um dos responsáveis pela popularização da stand up comedy no Brasil. Rafinha lançou em 2011 o DVD A Arte do Insulto, o qual a partir de 31/01/2012 foi proibido de ser comercializado, devido ao fato da Apae - Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais – ter movido uma ação alegando que o humorista faz piadas de cunho discriminatórios referente aos deficiente físicos e mentais.
Em decisão emitida pelo Diário Oficial da Justiça de São Paulo, Rafinha terá o prazo de até 20 dias para tirar o DVD de circulação, caso contrário estará sujeito a uma multa de R$ 20 mil por dia. Ah, e o melhor, a cada citação a Apae ou aos deficientes lhe custará mais 30 mil mangos.
O que me deixa estarrecido – além do valor das multas é claro - é saber que a piada nem de longe é ofensiva, e ainda pior que tal piada vem sendo feita desde 2004. Ou seja, foram necessários 8 anos para que a direção da Apae se sentisse ofendida pela piada.
Tal decisão da justiça paulista é arbitrária e altamente arrogante, e a postura da Apae é vergonhosa e oportunista. Vejamos, Rafinha perde em primeira estância para a neta de “Chico”, e logo na sequência a Apae resolve processá-lo, eu posso ate imaginar o dialogo dos diretores responsáveis pela ação.
Diretor A - hei, você viu que o Rafinha perdeu e vai ter que pagar 100 mil reais?
Diretor B - opa, claro que vi, mas o que tem isso?
Diretor A - Você viu que no DVD dele tem uma piada da nossa instituição?
Diretor B - vi sim, me caguei de rir... (muitos risos)
Diretor A - haha, eu também, esse Rafinha é muito foda, adoro ele! (muitos, muitos risos).
Diretor B - e aquela piada do “Raça negra”, cara se eu fosse do grupo já tinha processado ele pra ganhar um grana...
Diretor A - então, falando em processar...
Eu disse que a postura da APAE foi oportunista, mas que fique claro que não estou falando de toda a Apae nem de seu trabalho - o qual respeito muito -, mas sim de seus diretores, os quais com certeza vão levar algum por fora com essa historinha pra boi dormir.
O que me preocupa é o número de pessoas que acham que a Apae está certa, e me enoja ver pessoas fazendo críticas mirabolantes, e sentando no próprio rabo. Em Ponta Grossa, não posso citar nomes, mas eu dava aula em uma escola do estado onde vi o DIRETOR fazendo piadas sobre os alunos especiais da escola, e o pior, alguns professores caíram na gargalhada achando lindo. Hoje pela manhã, vi duas professoras que estava rindo nesse dia, criticando um post no facebook sobre o Rafinha, chamando-o de imbecil, cretino, aproveitador, dizendo que ele desrespeitou pessoas que são muito especiais. Minha vontade era de mandar as duas tomar bem no meio do cu delas, duas filhas da puta que se cagaram de rir quando o diretor fez suas piadinhas cretinas. Minhas queridas, se vocês estiverem lendo esse post, vão à merda, vocês são duas hipócritas.
Minha gente, vamos parar de levar a comédia tão a sério, riam, divirtam-se, e quando forem levar a sério levem a sério a política, a educação, a saúde do nosso país, levem a sério o voto de vocês, critiquem, processem, mandem pra cadeia esse políticos corruptos que vivem nas nossas costas e que tem suas merdas mascaradas, pois enquanto vocês se preocupam com uma mera piada eles estão rindo de nós.
Mas o mestre Rafinha, já deu a resposta, confiram no link abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=68ydL_ZFw0Y&feature=youtu.be
*Foto de Victor Affaro, publicada na edição 56 da Revista Rolling Stones de maio de 2011. Mais detalhes sobre a foto e a revista acesse: http://www.rollingstone.com.br/edicao/56/a-graca-de-um-herege
*Foto de Victor Affaro, publicada na edição 56 da Revista Rolling Stones de maio de 2011. Mais detalhes sobre a foto e a revista acesse: http://www.rollingstone.com.br/edicao/56/a-graca-de-um-herege
Assinar:
Postagens (Atom)
